como transformar conformidade em uma operação contínua
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Post — September 17, 2026

RC 18/2025: da tecnologia à governança da informação

Quando uma nova exigência regulatória chega, é comum que a primeira pergunta seja: qual ferramenta precisamos contratar? A pergunta faz sentido. Tecnologia pode automatizar controles, organizar metadados, executar…

RC 18/2025: da tecnologia à governança da informação

como transformar conformidade em uma operação contínua

Quando uma nova exigência regulatória chega, é comum que a primeira pergunta seja: qual ferramenta precisamos contratar?

A pergunta faz sentido. Tecnologia pode automatizar controles, organizar metadados, executar regras de qualidade e gerar evidências.

Mas, no caso da Resolução Conjunta nº 18/2025, do Banco Central do Brasil, ela não é suficiente.

A RC 18 estabelece uma política de qualidade das informações sustentada por governança, processos, responsabilidades, arquitetura de dados, documentação, validação, monitoramento e mecanismos de correção.

O desafio, portanto, não é simplesmente escolher uma plataforma.

É construir um modelo em que pessoas, processos, dados e tecnologia trabalhem juntos para garantir que a informação reportada seja confiável, rastreável e auditável.

O risco de começar pela ferramenta

Uma plataforma pode catalogar dados, executar regras, acompanhar indicadores e automatizar parte da documentação.

Mas ela não define, sozinha:

  • quem responde pela qualidade de uma informação;
  • qual regra deve ser aplicada;
  • como uma exceção será tratada;
  • quem aprova uma mudança;
  • ou qual evidência precisa ser preservada.

Essas são decisões de governança.

A RC 18 exige responsabilidades definidas, processos de validação e mecanismos que permitam acompanhar e demonstrar a qualidade das informações. A tecnologia entra para tornar esses processos mais eficientes, consistentes e escaláveis.

Governança primeiro. Plataforma depois.

Quando o controle depende de reconstrução

Imagine que uma instituição precise responder a uma pergunta simples:

De onde veio este número?

A resposta não deveria depender de uma investigação manual entre planilhas, sistemas e pessoas.

É preciso conseguir demonstrar o caminho percorrido pela informação, quais regras foram aplicadas, quais validações foram realizadas e quais evidências foram geradas.

É justamente por isso que alguns sinais merecem atenção:

  • controles críticos concentrados em planilhas;
  • validações manuais antes do envio;
  • diferentes definições para uma mesma informação;
  • documentação que depende de atualização manual;
  • dificuldade para rastrear dados até sua origem;
  • evidências produzidas somente quando são solicitadas.

Nesses casos, uma nova plataforma pode até digitalizar o problema.

Mas digitalizar um processo não significa, necessariamente, governá-lo.

O que precisa existir além da tecnologia

A RC 18 coloca a governança no centro. Isso significa transformar a política de qualidade da informação em processos que funcionem no dia a dia.

Entre os principais elementos estão:

Responsabilidades claras
Quem prepara, valida, aprova e responde pela informação precisa estar definido.

Regras de qualidade
As dimensões estabelecidas pela norma, como acurácia, completude, consistência, integridade, rastreabilidade e tempestividade, precisam ser traduzidas em critérios e controles aplicáveis aos processos.

Processos de validação
A qualidade precisa ser verificada ao longo do processo, e não apenas no momento anterior ao envio.

Documentação e evidências
É necessário demonstrar como a informação foi preparada, validada e fornecida, mantendo os registros necessários para auditoria.

É nesse ponto que a tecnologia deixa de ser o objetivo e passa a cumprir seu papel.

A tecnologia que sustenta a governança

Uma arquitetura adequada pode transformar requisitos de governança em controles executáveis, repetíveis e escaláveis.

Isso pode envolver:

  • rastreabilidade desde a origem, acompanhando a trajetória dos dados;
  • regras de qualidade automatizadas, com resultados e exceções registrados;
  • validação antes do reporte, reduzindo dependência de conferências manuais;
  • linhagem de dados, permitindo acompanhar a informação até sua origem;
  • catálogo e metadados, facilitando a localização e compreensão dos dados;
  • evidência histórica, preservando informações necessárias para reconstruir o processo.

A plataforma, nesse cenário, não substitui a governança.

Ela torna a governança executável e verificável.

Uma obrigação que pode gerar valor

A RC 18 não precisa resultar em uma estrutura criada exclusivamente para atender ao regulador.

Uma informação rastreável e confiável também é uma informação mais preparada para BI, analytics, risco, IA e decisões executivas.

Uma regra de qualidade criada para um reporte pode ser reutilizada em outros processos. Um catálogo estruturado para governança pode facilitar o acesso aos dados pelas áreas de negócio. Uma arquitetura construída para garantir rastreabilidade pode servir de base para novos casos de uso.

O primeiro passo é entender o ponto de partida

Antes da tecnologia, é preciso saber onde estão as maiores lacunas.

Quais processos já possuem controles? Onde estão as atividades manuais? Quais informações são críticas? Como as regras de qualidade são definidas? Quais evidências podem ser produzidas automaticamente?

Esse diagnóstico permite transformar a RC 18 em um programa estruturado de governança, e não apenas em mais uma iniciativa tecnológica.

A tecnologia pode automatizar a governança. Mas é a governança que dá sentido à tecnologia.

1. O que é a Resolução Conjunta nº 18/2025?

A RC 18/2025 estabelece requisitos para a política de qualidade das informações prestadas ou disponibilizadas ao Banco Central, abrangendo governança, processos, tecnologia, controles e evidências de qualidade dos dados.

2. Quando a RC 18/2025 entra em vigor?

A resolução entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026. As instituições devem realizar os procedimentos necessários para sua adequação até 31 de dezembro de 2026.

3. Quais são as dimensões de qualidade previstas na RC 18?

São 12 dimensões: acessibilidade, acurácia, adaptabilidade, clareza, comparabilidade, completude, confiabilidade, consistência, integridade, rastreabilidade, relevância e tempestividade.

4. A RC 18 exige apenas uma política de qualidade de dados?

Não. A política precisa estar apoiada por governança, responsabilidades definidas, processos, arquitetura e tecnologia adequadas, mecanismos de validação, monitoramento, documentação, testes e evidências.

5. Como a instituição deve comprovar a qualidade das informações enviadas ao Banco Central?

Por meio de processos documentados, validações, reconciliações, testes, registros, trilhas de auditoria, monitoramento e relatórios que permitam demonstrar como a qualidade das informações é assegurada.

6. Como a ATRA pode ajudar na adequação à RC 18/2025?

A ATRA atua na estruturação de iniciativas de governança, qualidade, integração, engenharia e arquitetura de dados, apoiando instituições financeiras no diagnóstico do cenário atual, definição de prioridades, implementação de controles e construção de mecanismos para monitoramento e evidência da qualidade das informações.

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