Lições do Summit Êxito com a ATRA e Google Cloud
A 7o edição do Summit Êxito de Empreendedorismo, focado em inovação, tecnologia e inteligência artificial no empreendedorismo, promoveu discussões cruciais sobre como as empresas podem transformar seus dados brutos em ativos estratégicos e impulsionar a Inteligência Artificial (IA) para obter vantagem competitiva.
Com a participação de Raony Falco (CEO da ATRA), Fábio Mariano (CTO da ATRA) e especialistas do Google Cloud (Guilherme Figueira e Éder Berenger), as palestras “Desvendando a Governança, Engenharia e Arquitetura de Dados para Impulsionar IA” e “O CEO Data-Driven” destacaram que a base para o sucesso na era da IA é a organização, a qualidade e a governança dos dados.
O Dado como ativo estratégico: Uma visão do CEO Data-Driven
O dado não é mais apenas um projeto de Tecnologia da Informação (TI), mas sim o novo ativo estratégico de uma companhia. O CEO Data-Driven (orientado a dados) reconhece que, em um mercado altamente competitivo, decisões tomadas com base em informações precisas e trabalhadas são um diferencial enorme de competição. Caso contrário, uma decisão baseada apenas em opinião não passa de uma opinião.
A necessidade de se tornar uma empresa orientada a dados intensificou-se após a pandemia, impulsionando a transformação digital. O primeiro passo para ganhar maturidade analítica é tornar os dados um pilar fundamental da estratégia corporativa, com o CEO promovendo a democratização do dado para toda a empresa. Para as empresas que ainda não estão olhando para os dados, trata-se de uma questão de sobrevivência a curto prazo.
A Fundação: Governança, engenharia e arquitetura de dados
Para que a IA traga valor, é fundamental que a fundação de dados esteja sólida. Não existe inteligência artificial sem dados.
- Evitando a “alucinação”: O maior risco ao tentar implementar a IA sem preparação é o que se chama de “alucinação”, quando a IA gera informações incorretas porque a base não foi trabalhada, qualificada ou tratada.
- A importância da governança: A governança de dados é essencial para a organização, garantindo que as informações entregues sejam acuradas e que haja controle financeiro (FinOps) e segurança cibernética. Embora muitas vezes vista como burocracia, a governança hoje é vista como investimento, e não mais como um custo. A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) ajudou as empresas a olhar com mais carinho para a importância da governança.
- Modernização: Para as empresas com legados complexos, modernizar é um desafio. No entanto, empresas que estão começando têm uma chance de iniciar com a “coisa certa” e organizada. A migração para a nuvem (Cloud) é vista como um caminho sem volta, trazendo benefícios como redução de custos, escalabilidade e acesso a serviços modernos.
- Descentralização e cultura de dados: Um erro comum é concentrar o ownership do dado na área de governança ou TI, o que gera “silos” e inibe a inovação. A descentralização da propriedade do dado é crucial para a cultura data-driven, utilizando conceitos como Data Mesh para permitir que as áreas de negócio se sintam motivadas a curar e compartilhar suas informações.
Impulsionando a IA para vantagem competitiva
O momento é da IA, mas a oportunidade continua sendo dos dados. A IA é uma ferramenta que veio para acelerar o processo de tomada de decisões e trazer agilidade ao negócio.
A implementação de IA deve ser direcionada para três grandes objetivos corporativos:
- Vender mais: Explorar novos mercados ou aumentar o resultado de vendas.
- Reduzir despesas: Ganhar eficiência operacional ou predizer falhas.
- Compliance/Risco: Mitigar riscos de regulação ou vazamento de dados.
Adoção pragmática: É fundamental não buscar o “Big Bang,” que é traumatizante. Deve-se começar por casos de usos específicos ou MVPs (Minimum Viable Products) de tiro curto, que permitam experimentar e falhar rapidamente, aprendendo de forma ágil. O uso de plataformas modernas na nuvem (Cloud) permite que esses testes sejam feitos de forma rápida e com custo controlado (Pay-As-You-Go), algo que era muito caro e demorado antigamente.
Pessoas e a democratização da informação
O maior impulsionador da IA Generativa é a democratização da informação. A tecnologia precisa transcender a barreira técnica, permitindo que o usuário final de negócio, que não sabe programar, possa interagir de forma conversacional com os dados.
A IA não é o fim, é o meio. Ninguém será substituído pela IA, mas sim por alguém que usa a IA. Isso impulsiona a necessidade de capacitação e o surgimento de novas funções, como o Analista de Prompt, que é o profissional que sabe fazer as perguntas certas e montar o script de interação para extrair o melhor da IA.
O investimento em pessoas é o maior ativo de qualquer empresa, e elas precisam ser capacitadas para este novo mundo. As empresas mais tradicionais precisam mudar a mentalidade de quem está no comando para que o restante da organização siga o exemplo.
Conclusão
A era da Inteligência Artificial Generativa já está aqui, e ela não é uma ciência de foguete (rocket science). O momento é de repensar o negócio e aproveitar a janela de oportunidade. Nunca foi tão barato investir em dados e IA, e o custo de não investir é infinitamente maior, pois seu concorrente pode já estar fazendo isso.
O segredo do sucesso reside na organização da casa desde o início, investindo na governança, adotando plataformas modernas e, acima de tudo, capacitando as pessoas para que possam utilizar a tecnologia como um acelerador e um diferencial competitivo.